SÃO PAULO, do site do DCI – O mercado de tecnologia da informação (TI), que vem sendo abalado com a crise financeira internacional principalmente no setor de hardware, devido à queda na fabricação e na venda de computadores, aposta na terceirização e virtualização de serviços (outsourcing) para puxar a receita de todo o setor de TI – o outsourcing crescerá cerca de 30% este ano, de acordo com estudo da consultoria IT Data.
A Alog Data Centers do Brasil, especializada em hosting, acredita em um cenário positivo e já faz planos de investir R$ 20 milhões até o fim deste ano para expansão de infraestrutura da companhia e treinamento de pessoal. Sidney Breyer, presidente da Alog, explica que 2009 deve ser um ano especial e de grande investimento, ainda que seja um período incerto na economia. "Nosso mercado tem uma característica muito interessante – oferecemos a oportunidade para os nossos clientes reduzirem seu custo total de propriedade", explicou o executivo.
Breyer acredita que o mercado de terceirização e virtualização de serviços deve ficar em evidência em uma época em que todos os interesses serão resumidos em aumentar a produtividade com custos menores. "Quando as empresas terceirizam sua estrutura de TI com um datacenter, conseguem ter um controle maior das finanças. Sabem exatamente onde estão gastando e transformam os grandes investimentos de capital (capex) em investimento apenas para manter o bem (opex)", disse.
A companhia encerrou 2008 com um faturamento de R$ 63,24 milhões, um aumento de 30% em relação a 2007, e tem a expectativa de fechar este ano com receita de R$ 85 milhões, cerca de 35% maior do que em 2008. Com dois datacenters, a Alog conquistou, respectivamente, 79 e 164 novos clientes no Rio de Janeiro e em São Paulo durante o ano passado, impulsionada pelos segmentos varejista e de tecnologia.
Álvaro Leal, analista da consultoria da IT Data, conta que acaba de concluir uma pesquisa, realizada com cerca de 500 empresas de médio e grande porte no Brasil, para avaliar as tendências do mercado de serviços de TI (onde estão inclusos hosting, outsourcing e datacenter).
"Com a crise, o mercado de serviços de TI ganha uma oportunidade a mais. As empresas vão querer reduzir os custos investidos em ativos. Será preferível terceirizar, fazer outsourcing de equipamentos e usar datacenters de terceiros", afirma o analista, enfatizando que o maior risco do setor será a renovação de legado.
Leal explica que, das três vertentes do mercado de TI – hardware, software e serviços – a primeira é a mais abalada pela crise e, portanto, o segmento será puxado pelos outros dois, que conseguem se sair melhor em cenário de corte de gastos. "É natural que haja uma migração de receita maior para o mercado de serviços e software. São negócios que vão ser privilegiados, já que ninguém vai querer assumir responsabilidades sobre mais ativos, o momento deste ano é outro, fazer mais com menos", explica. Marcelo Fabretti, da consultoria Topmind, também aposta no ano da terceirização, e afirma que "a grande tendência é colocar para fora (terceirizar) tudo o que não fizer parte do segmento de negócio da empresa".
A TCI, especializada em Business Process Outsourcing (BPO), que desenvolve soluções para diversos segmentos da economia, aposta na oferta de BPO para o mercado privado com enfoque no setor financeiro para crescer cerca de 40% este ano. "Temos a expectativa de faturar cerca de R$ 170 milhões para superar os R$ 122 milhões do ano passado", explicou Fábio Fischer, CEO da TCI.
Fischer afirma que o mercado será excelente para o outsourcing brasileiro, justamente pelo momento conturbado pelo qual passa a economia. "O mercado está fugindo de custos fixos. O modelo do BPO transforma esses custos em despesas variáveis, que são pagas sob demanda", disse.
No ano passado, a companhia investiu cerca de R$ 18,3 milhões em suas operações no País e deve desembolsar, até o final deste ano, cerca de R$ 23 milhões em aportes. Outra aposta da empresa é o segmento de saúde, no qual atende às demandas de toda a cadeia logística de materiais e medicamentos e gestão de documentos. Esta área foi responsável por 46% do faturamento da companhia no ano passado e deverá alavancar um importante crescimento em 2009.
Marcelo Boralli, da DHC Outsourcing, afirma que apesar da desaceleração do mercado de TI, a tendência é que o segmento de outsoucing se desenvolva ainda mais "O volume de clientes novos em época de crise tende a aumentar devido à procura por novas alternativas de negócio", disse o executivo.
Boralli explica que, mesmo diante de um cenário menos intenso da economia, a DHC tem expectativa de crescer cerca de 30% este ano. "A busca das empresas hoje é não descapitalizar para manter dinheiro em caixa, já que não esta barato pegar dinheiro emprestado dos bancos", argumentou.
Incentivo
A Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) e a Agência Brasileira de Promoção das Exportações (Apex), anunciaram, na manhã de ontem, um incentivo de R$ 14 milhões que serão destinados a 36 empresas de Tecnologia da Informação (TI), credenciadas à Brasscom, nos próximos dois anos. O objetivo da iniciativa é promover os produtos e serviços dessas empresas no exterior, com destaque para Estados Unidos, Reino Unido e Japão.
Dessa forma, espera-se que as exportações de serviços de TI aumentem cerca de 55%, com expectativa de chegar a US$ 1,3 bilhão até o final deste ano. De acordo com as entidades envolvidas, até 2010 o mercado deve movimentar cerca de US 2,5 bilhões com a ajuda da iniciativa.
Segundo Antônio Gil, presidente da Brasscom, as 36 empresas que são suas associadas representam mais de 70% do PIB brasileiro de TI. Em 2008, as exportações movimentaram cerca de US$ 840 milhões.
O Brasil é hoje o oitavo maior mercado interno de tecnologia da informação no mundo.
O crescimento do setor de computadores caiu de 18% para 12,7% em 2008, abalando o mercado de TI, que em 2009 vê ser puxado por outsourcing, diz estudo da IT Data.
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